Um roteiro pelo centro de Belém (ou o que fazer em Belém!)

Barcos de pesca em Belém do Pará
Embarcações de pesca junto ao Mercado Ver-o-Peso, Belém

Excetuando a época do Círio de Nazaré, Belém é uma cidade pouco visitada, pelo menos à escala brasileira. Num país com tanta oferta como o Brasil, é difícil sobressair. E, lamentavelmente, Belém sofre de três grandes problemas que, como turista, rapidamente identifiquei.

Primeiro, a insegurança (é inacreditável a quantidade de gente que me disse para “ter cuidado”) e o mau ambiente, digamos assim, de algumas zonas nucleares da cidade; depois os esgotos a céu aberto que, inexplicavelmente, são ainda abundantes nos bairros históricos da capital do Pará; e, por fim, o estado decrépito de muitos edifícios desse mesmo centro histórico.

Peguemos nas palavras de Alexandra Lucas Coelho, em 2011: “Nem soberba nem bem tratada, Belém está mais próxima do mercado, convulso e arisco. Quem desce a pé do centro ao cais, vai vendo o formoso casario esmagado por má arquitetura, passeios partidos, sem-abrigo e lixo, grades e graffiti à sombra das mangueiras, as célebres mangueiras de Belém do Pará, e de cada vez que se detém a confirmar o caminho dizem-lhe para ter cuidado com os roubos”. E, afinal, pouco mudou.

O que visitar em Belém: centro histórico
Rua do centro histórico de Belém

Apesar disto, Belém é uma agradável surpresa para quem a visita sem grandes expectativas. Sem ser especialmente bonita, é uma cidade com uma oferta interessante de atrações – igrejas, um forte, museus e espaços de lazer; e, melhor ainda, é base preferencial para explorar outros locais nas proximidades.

Não só a mais conhecida Ilha do Marajó, mas também locais como a Ilha do Mosqueiro, a Ilha do Combú ou a mais distante Ilha do Algodoal. De todas me disseram coisas muito elogiosas, mas centremo-nos por agora na malha urbana de Belém do Pará.

O que visitar em Belém

Depois de alguns dias passados em Belém, intervalados por uma agradável visita à Ilha do Marajó, selecionei o melhor que tive oportunidade de conhecer na capital do Pará, condensado num roteiro de um dia muito bem preenchido. Ou, melhor ainda, dois dias bem mais tranquilos.

Se ainda não sabe o que fazer em Belém, estas sugestões de passeios, atrações turísticas, lojas e restaurantes são um excelente ponto de partida.

#1 Forte do Presépio

O que visitar em Belém: Forte do Castelo
Pormenor no interior do Forte do Presépio, também conhecido como Forte do Castelo

Acordei cedo. Saí do hostel onde estava hospedado, bem perto do Shopping Boulevard, e fui direto para o Terminal Hidroviário de Belém (queria conhecer as opções de barcos para a Ilha do Marajó). Informações registadas, comecei a explorar Belém.

Foi no Forte do Presépio que li pela primeira vez a expressão “Feliz Lusitânia“. Aparentemente, terá sido dessa forma que os colonizadores portugueses se referiram ao núcleo inicial da povoação de Belém do Pará – uma zona que alberga o conjunto arquitetónico em redor da Praça D. Frei Caetano, incluindo a Casa das Onze Janelas, o Museu de Arte Sacra, a Catedral Metropolitana de Belém e o Forte do Presépio. É, por isso, um dos marcos da fundação da cidade de Belém!

Entrei no forte – também conhecido por Forte do Castelo – sem saber bem ao que ia. Prossegui para um pátio interior com canhões tidos como originais em destaque. No topo da muralha, as vistas para o Rio Guamá, para a área onde decorre a madrugadora Feira do Açaí e para o Mercado Ver-o-Peso, adiante, chamaram a minha atenção.

Regressei para junto da entrada do forte e abri uma porta envidraçada. Lá dentro, o belíssimo Museu do Forte do Castelo de São Jorge exibia uma exposição permanente centrada na colonização da Amazónia brasileira, com peças de cerâmica dos índios Tapajós e da Ilha do Marajó anteriores à chegada dos portugueses. Adorei!

#2 Casa das Onze Janelas

O que fazer em Belém: visitar Casa das Onze Janelas
Pátio de acesso livre no espaço cultural Casa das Onze Janelas

A Casa das Onze Janelas – ou Palacete das Onze Janelas –  é um edifício histórico localizado em frente ao Forte do Presépio, que alberga uma interessante coleção de arte contemporânea. Visitei o museu numa manhã de muito calor, e posso dizer que dei por bem empregue o meu tempo.

Dito isto, se não tem qualquer interesse em arte ou museus pode perfeitamente dispensar a visita à Casa das Onze Janelas. Mas, se não for por mais nada, pelo menos entre no edifício e dirija-se ao pátio exterior nas margens do rio; sente-se num banco de jardim e desfrute. Vai ver como o tempo parece parar…

#3 Catedral Metropolitana de Belém

Catedral Metropolitana de Belém
Fachada da Catedral Metropolitana de Belém

A Catedral Metropolitana de Belém, também conhecida por Catedral da Sé, não tem a riqueza da Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. Mas, depois de visitar a Casa das Onze Janelas, basta atravessar a praça para ficar a conhecer a catedral.

A catedral é parte importante da tradicional celebração do Círio de Nazaré, tida como a maior procissão do mundo ocidental; é de lá que, depois de uma missa, a imagem de Nossa Senhora de Nazaré parte em procissão até à homónima basílica.

#4 Mercado Ver-o-Peso

Mercado Ver-o-Peso, Belém
Tinha memória de se poder entrar neste edifício do Mercado Ver-o-Peso; agora, está encerrado e em mau estado

Seguramente o local mais icónico de Belém, o Mercado Ver-o-Peso fica nas proximidades e é, claro está, visita “obrigatória”. Seja pela secção de frutas e legumes; seja pela zona dedicada ao peixe e camarão; ou até – embora muito menos – pela área onde se encontra o artesanato indígena. Mas, principalmente, pela área dedicada às mezinhas e “poções mágicas” naturais. Sim, no Mercado Ver-o-Peso há um óleo, uma erva, uma casca para tudo!

No meu caso, insistiram para que comprasse “óleo da bota”, muito elogiado pelas vendedoras para potenciar o ato sexual com palavras que – manda o decoro – não poderei transcrever. Lamentavelmente não comprei e não poderei, por isso, confirmar as propriedades milagrosas do óleo junto do leitor mais curioso.

De volta à comida, almoçar nas bancas do mercado é uma experiência interessante e recomendável. Mas, caso aceite a minha sugestão, tome apenas um açaí e guarde o estômago para um belíssimo restaurante vegetariano que conheci em Belém. Não falta muito.

#5 Mercado Municipal (“mercado das carnes”)

O que fazer em Belém: Mercado Municipal
A curiosa estrutura de ferro do “mercado das carnes” de Belém

Entrei no Mercado Municipal de Belém por casualidade. Ou melhor, porque alguém disse que tinha uma bela vista ao ser por mim confrontado com o facto do edifício central do Mercado Ver-o-Peso estar encerrado (eu lembrava-me dele aberto, e tenho até um álbum de fotos de Belém que comprova isso).

E a verdade é que, mais do que a vista, o também conhecido por “Mercado das Carnes” me surpreendeu pela bela estrutura de ferro do edifício. Fez-me lembrar as edificações de Gustave Eiffel.

Satisfeito, atravessei o mercado e saí por uma porta lateral, pronto para mais uma descoberta.

#6 Loja de Ervas Medicinais

Ponto das Ervas Medicinais, Belém
Loja Ponto das Ervas Medicinais, em Belém

À saída da zona dedicada às carnes do Mercado Municipal de Belém, vislumbrei a loja Ponto das Ervas Medicinais. Em vez de roupa, comida ou eletrodomésticos, viam-se folhas secas, sementes e outros produtos naturais.

Lembro-me de há uns anos ter convivido com um índio Tikuna, no Estado brasileiro do Amapá, que dizia que a Amazónia era a “farmácia do índio”. Na sabedoria popular indígena há uma planta para curar qualquer maleita. De forma natural. O assunto é fascinante.

Se tem interesse, por mais pequeno que seja, em saber mais sobre as ervas medicinais da Amazónia, coloque esta ervanária na sua lista de coisas a fazer em Belém.